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Quarta-feira, Outubro 31, 2001

Perdões e perdões

Hoje, vindo para o trabalho, ouço no rádio do carro uma notícia que dizia sobre o perdão de uma dívida de produtores rurais. Eles receberam um prazo de 25 anos, com juros de 3% ao ano. Mais uma vez os caloteiros são privilegiados no país da pizza. É como o repórter falou: "vai tentar renegociar a sua dívida da casa própria, aquela que você deixou de pagar, não por calote, mas porque seu salário simplesmente não é suficiente". Pois é! Eu nem sei se esse caso dos produtores é calote, mas... eu já vi esse filme trocentas vezes.

Esse comentário me lembrou de um fato que aconteceu comigo há uns 2 anos. Eu estava encarregado do pagamento das prestações do apartamento onde eu estava morando. Num determinado momento, os boletos deixaram de ser enviados para lá e eu fui à CEF para saber qual era o problema. Depois de inúmeras idas à agência, sempre falando com um funcionário diferente, que não fazia a menor idéia do que se tratava, já que eles não deixavam nada documentado, consegui alguém que me desse uma luz.

O fato era que havia uma incoerência entre o valor das prestações que eu estava pagando e a dívida que estava registrada nas contas da CEF. O funcionário me disse que a minha dívida era, provavelmente, bem maior do que a que se supunha. Eu expliquei que, se havia alguma diferença, deveria ser para menos, já que há coisa de 2 anos a prestação tinha sido reduzida devido à cobrança indevida de certas taxas. Ou seja, durante anos a prestação esteve acima do que deveria.

Bem, em uma outra ida minha à agência, durante as investigações sobre o caso, o funcionário me veio com um papo de que a dona do imóvel deveria ir lá para fazer uma atualização da prestação. Ocorreu, aproximadamente, o seguinte diálogo:

- A dona desse imóvel deveria vir aqui para fazer um ajuste dessa prestação. Ela deveria ser 3 vezes maior do que a atual.
- Mas a prestação está de acordo com o contrato?
- Está, os reajustes são feitos com base no salário dela, mas esse valor está muito abaixo da realidade. A Caixa está tendo prejuízo.
- Olha, meu amigo, a dona é professora universitária e já está há mais de 4 anos sem nenhum reajuste de salário. Dane-se a Caixa.
- Você sabe que esse apartamento nunca vai ser dela, né?
- Como assim?
- Mesmo com o reajuste da prestação, ela dificilmente vai conseguir quitar essa dívida.
- Ora, então qual o ser humano que, em sã consciência, viria aqui reajustar essa prestação? Se ela nunca vai terminar de pagar, que continue pagando a prestação mais barata.
- Mas, Senhor, ...

Que lógica é essa desse cara?! Bem, depois disso foi constatado que realmente a prestação estava mais alta ainda do que deveria. Dias depois a dona do apartamento recebeu uma carta da Caixa, dizendo que na verdade o apartamento já estava quitado e que ela ainda deveria receber uma restituição de alguns milzinhos reais. Que tal? ;-)

16:59 | comentários