Quando o telefone tocou, às 11 e meia da manhã, as boas novas. A cirurgia tinha sido um sucesso e o cisto era mesmo no ovário. Na verdade, conforme o Tio Cleber explicou enquanto mostrava o enorme cisto para a platéia atônita - menos para o meu pai, que não quis ver nada -, o ovário esquerdo estava na posição errada e já estava necrosado porque a trompa estava torcida. A mamãe disse que estava do tamanho de um ovário de adulto. Devia ter uns 3 ou 4 centímetros de diâmetro. Nossa! Já imaginaram isso tudo dentro de uma barriguinha tão pequenina? O Tio Cleber também disse que o outro ovário está perfeito e que eu vou poder ter filhos normalmente.

Eles já achavam que a angústia havia terminado, quando eu voltei ao quarto. Eu estava muito assustada, com o bracinho entalado para segurar o soro e só poderia mamar às 18 horas. Ainda era meio-dia! A mamãe tentava me confortar em seu colo, mas eu queria era o peito. A mamãe chorava, o papai chorava, eu berrava, e a vovó e a tia Jana iam agüentando as pontas e acalmando todo mundo. Até que eu comecei a me conformar com a situação e dar uns cochilos, que eram interrompidos por alguns sobressaltos.

Aí, eles foram vendo que eu só estava um pouco assustada, mas estava bem. O corte era tão discreto, apesar de ir de lado a lado, que eles até ficaram espantados. Eu já estava me acostumando com a talinha e o soro não parecia estar me machucando. Só que eu só queria ficar no colo. A vovó ficou comigo por umas 3 horas seguidas. Ficou toda doída e ainda ganhou de brinde um banho de xixi. Eu ainda estava sem fralda. O papai e a mamãe pareciam dois bobos. Toda hora olhavam pra mim, viam que eu estava bem e começavam a chorar e agradeciam ao papai do céu e ao meu anjinho da guarda.

A glória foi quando o Tio Lucas me liberou para mamar. Foi tão bom e a mamãe ficou ainda mais aliviada, apesar de eu ainda ter que continuar com o soro até o dia seguinte. Mas eu já estava tirando de letra aquela tala. Só de vez em quando que me esquecia e tentava coçar o olho. Nada demais ;-) A noite foi tranqüila, apesar de a mamãe e a vovó - as duas que ficaram no hospital - não terem dormido quase nada. Logo de manhã, eu dei um jeito de entupir o soro, para forçar que a enfermeira o tirasse. Também, eu já estava tão bem que não precisava mais daquilo.

Quando o papai chegou, nem acreditou de me ver sem o soro. Mais choro. Quem me via, não acreditava que eu tinha sido operada. Aliás, o próprio hospital custou a aceitar o fato. Primeiro foi o tio do banco de sangue. Depois, mandaram o jantar da paciente (arroz, feijão, frango). Aí, foi uma enfermeira que esperava encontrar um bebê DENTRO da barriga. O papai ficou tão bravo! Será que eles não sabiam quem estava internado no hospital? Ainda bem que eu só precisei tomar medicamento uma vez, logo que saí da cirurgia. Sei lá, com essa desorganização, iam acabar me dando o remédio errado.

Oba! É hora de ir para casa :-)...